Cidades

Mulheres devem ajudar a repensar planeamento urbanístico

É necessário transportes mais baratos e parques com mais luz para que Glasgow seja mais seguro, acessível e inclusivo a todos
Glasgow
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Um estudo realizado pelo Young Women Lead, um programa de liderança para mulheres dos 16 aos 30 anos de Glasgow, na Escócia, concluiu que o planeamento da cidade escocesa tem sido focada nas necessidades só dos homens.

De acordo com o documento citado, o planeamento urbanístico tem sido um setor dominado pelos homens e, por isso, é a experiência masculina que tem guiado todo o desenho das cidades. Isto é algo que se reflete na falta de atenção às necessidades particulares das mulheres e de todas as pessoas que não se identificam com o género masculino.

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Numa cidade como Glasgow, em que 51% da população é do sexo feminino, é importante encontrar soluções para que se torne mais segura e mais navegável.

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Mais de metade das pessoas inqueridas não se sentem seguras nem a aguardar pelo autocarro, nem dentro do autocarro. Histórias de agressões, invasão do espaço pessoal, assaltos e mesmo violações fazem com que 67% das pessoas admitam sentir-se inseguras e desconfortáveis a andar de autocarro e 70% enquanto aguardam na paragem.

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A noite também representa fonte de desconforto para as pessoas inquiridas. Apenas 20% sente-se à vontade para andar de autocarro à noite e a grande maioria admite não visitar parques quando começa a escurecer por não haver iluminação suficiente e existir o risco de violação, rapto, ataque e homicídio.

O valor dos transportes públicos, o facto de a informação sobre horários não ser de fácil acesso e não terem muito espaço para bicicletas, carrinhos de bebés e cadeiras de rodas faz com que muitos dos inqueridos se afastem do transporte.

Em relação aos parques, apesar de, com o Covid-19, muitas terem sido as pessoas que passaram a visitar mais estes espaços públicos, a verdade é que ainda deixam muito a desejar.

Das razões mais comuns para os inqueridos não passarem mais tempo nos parques, destacam-se a falta de casas de banho de uso gratuito, com produtos sanitários e espaço para mudar fraldas, a ausência de espaços para os animais andarem à vontade e poucos seguranças a controlar as zonas.

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No documento, são dadas várias sugestões para mitigar os problemas levantados e para tornar o planeamento urbanístico algo de todos, pensado e idealizado para todos.

Entre elas, destaca-se a criação de um autocarro noturno para mulheres, desenvolvimento de uma aplicação que dê informações em tempo real sobre os autocarros, um passe transversal aos vários transportes públicos e parques com mais segurança e mais luminosidade.

Viena, na Áustria, é identificado como um caso de sucesso no que diz respeito a um planeamento urbanístico mais igualitário, em que há soluções de acessibilidade para todos, como mais luz nas ruas para reduzir ansiedade e passagens largas para carrinho de bebes e cadeiras de rodas.

O programa Young Women Lead foi apresentado pela primeira vez em 2017 e é o resultado de uma parceria da YWCA Scotland – The Young Women’s Movement (Movimento de Jovens Mulheres) com o parlamento escocês. Foi criado com o objetivo de chamar a atenção para o facto de haver poucas mulheres jovens na política do país.

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Desde então, todos os anos escolhem uma nova temática para investigar. Este ano, o tema escolhido foi o planeamento urbanístico no feminino.

O relatório deste ano foi desenvolvido por um grupo de 23 mulheres e é o resultado de dois inquéritos a mulheres, pessoas não-binárias, transsexuais e assexuais, um focado no sistema de autocarros e outro nos parques públicos.

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