Mobilidade

Construtores obrigados a adaptar-se devido à falta de semicondutores

Diversos construtores de automóveis foram obrigados a ajustar as suas metodologias, de forma a reagir a esta crise global
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Fábrica Xpeng (foto: Xpeng)
Fábrica Xpeng (foto: Xpeng)

A escassez de semicondutores, ou chips, é um problema que perdura e que não só está a durar muito mais tempo do que o previsto como ainda ninguém sabe ao certo quando vai terminar.

Esta imprevisibilidade fez com que diversos construtores de automóveis tivessem de reagir e de se adaptar a uma nova realidade, tentando comprar semicondutores diretamente aos seus produtores e produzindo automóveis de uma forma diferente ou mesmo com peças em falta.

Os problemas de fornecimento, associados às limitações de produção que continuam muito abaixo da procura depois deste boom de eletrificação a que estamos a assistir, já causaram enormes prejuízos à grande maioria dos construtores de automóveis que já se viram forçados a limitar a sua produção, a priorizar alguns modelos em detrimento de outros e também a repensar as suas estratégias de produção.

No capítulo da aquisição de semicondutores, os grandes construtores compravam peças a grandes construtores como a Bosch ou a Continental, que por sua vez compravam a fornecedores mais próximos da produção destes componentes. Mas a grande verdade é que todo este processo levou a uma falta de transparência.

Numa recente entrevista a Markus Schäfer, o Purchasing Manager do Grupo Daimler, este afirmou que todo este processo está a ser alterado e que já foi estabelecida uma linha de comunicação direta com os produtores de semicondutores em Taiwan.

Em paralelo, Herbert Diess, o CEO do grupo Volkswagen, também já efetuou alguns comentários sobre as parcerias estratégicas que o grupo está a estabelecer com os fabricantes asiáticos.

Outras das soluções destinadas a atenuar os problemas de produção, está na reconfiguração de algum software e hardware, com o objetivo de conseguir as mesmas funcionalidades, mas utilizando uma quantidade inferior de semicondutores.

A Daimler, por exemplo, está a desenvolver novas unidades de controlo que não estão limitadas a um chip específico, mas que podem funcionar com algumas das alternativas que estejam disponíveis. Outro dos construtores a apostar nesta solução foi a Tesla, que redesenhou alguns dos seus componentes justamente com o objetivo de utilizar semicondutores menos escassos.

Do lado da General Motors, a solução imediata passa por trabalhar com fabricantes como a Qualcomm, a STMicroelectronics ou a Infineon, com o objetivo de desenvolver semicondutores que sejam capazes de efetuar várias funções, em vez de utilizar chips específicos para cada função tal como acontecia até agora.

A solução mais simples, mas também algo arriscada, está a ser utilizada por diversos construtores, como a BMW, por exemplo, e passa por armazenar automóveis já produzidos, aos quais falta apenas um ou outro componente. Assim que as peças chegam, a produção pode ser concluída rapidamente e o carro entra no mercado. Nos casos em que seja possível, diversos modelos são mesmo entregues ao cliente sem determinadas funções controladas por chips, que serão adicionadas mais tarde, assim que seja possível.

(Fotos: Volkswagen, BMW, Qualcomm e Unsplash)

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