Mobilidade

Preço dos carros novos empurra mais de metade dos portugueses para o mercado de usados

Mais de 90% dos portugueses considera que os preços dos carros subiram significativamente nos últimos anos
Texto
Carros estacionados
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O aumento do preço dos automóveis novos pode estar a empurrar cada vez mais portugueses para o mercado de carros usados. A conclusão é do estudo “Setor Automóvel: Cinco vias para a retoma”, do Observador Cetelem, marca do BNP Paribas Personal Finance.

Segundo a análise, embora os portugueses continuem a valorizar o automóvel, os preços atuais estão a travar a intenção de compra, tornando os usados uma alternativa cada vez mais considerada.

Preço dos carros novos é a principal preocupação

O estudo revela uma perceção clara de aumento generalizado dos preços:

  • 92% dos portugueses consideram que os preços dos carros subiram significativamente nos últimos anos
  • 60% acreditam que esse aumento não é justificado
  • 93% dizem que os carros novos estão demasiado caros

Estes valores estão alinhados com a tendência europeia, onde o preço também surge como uma das principais barreiras à compra.

Apesar disso, a imagem do setor continua positiva:

  • 94% dos portugueses têm uma boa imagem dos carros novos (acima da média internacional de 92%)
  • 85% têm opinião favorável sobre carros usados (acima da média internacional de 79%)

Usados ganham vantagem nas intenções de compra

A perceção de preços elevados reflete-se diretamente nos planos de compra.

De acordo com o estudo:

  • 53% dos portugueses planeiam comprar um carro usado nos próximos cinco anos
  • 49% admitem comprar um carro novo no mesmo período

Nos dois casos, os valores mostram uma ligeira diferença face à média internacional, onde a intenção de compra de carros novos é superior.

Vendas de automóveis na Europa ainda abaixo do período pré-crise

O setor automóvel europeu tem sido afetado por várias crises recentes — sanitárias, geopolíticas e económicas.

Entre 2015 e 2019, a Europa registava cerca de 17 milhões de automóveis vendidos por ano.

Entre 2020 e 2024, esse número caiu para 11,75 milhões anuais, o que representa um défice acumulado de cerca de 20 milhões de veículos e contribuiu para o envelhecimento do parque automóvel.

Mercado português mostra sinais de recuperação

Em Portugal, o impacto também foi sentido após 2019, ano em que foram produzidos 345 mil automóveis e vendidos 268 mil.

Ainda assim, os dados mais recentes mostram recuperação, segundo a Associação de Comércio Automóvel de Portugal:

2024

  • 260 mil veículos produzidos (+8,3% face a 2023)
  • 240 mil vendidos (+4,4%)

Primeiro semestre de 2025

  • 143 mil veículos comercializados
  • crescimento de 4,2% face ao período homólogo
  • 20% das vendas correspondem a veículos elétricos

Portugueses pedem carros mais baratos e simples

Para reduzir os preços dos automóveis, 80% dos portugueses defendem medidas que incentivem diretamente a compra.

Entre as soluções apontadas no estudo estão:

  • 62% defendem carros novos mais simples e baratos, com menos opções
  • 78% apontam para a redução das margens dos fabricantes

Alguns elementos que os consumidores consideram possíveis de simplificar para baixar preços incluem:

  • jantes e cor do veículo (40%)
  • tamanho do carro (23%)
  • potência do motor (20%)

Mobilidade elétrica continua a enfrentar obstáculos

A transição para veículos elétricos é reconhecida como inevitável no setor automóvel.

O estudo mostra que:

  • 92% dos portugueses consideram importante reduzir o impacto ambiental do parque automóvel
  • 64% reconhecem que já existem progressos

No entanto, persistem obstáculos como:

  • preços elevados dos veículos elétricos
  • resistência de alguns consumidores
  • incerteza nas políticas públicas

Apenas 18% dos portugueses consideram claras as políticas de apoio à compra de veículos elétricos, um valor abaixo da média europeia de 32%.

Concessionários continuam a ser decisivos na compra

Apesar do crescimento do digital, os concessionários mantêm um papel importante na relação com os consumidores.

O estudo indica que:

  • 74% dos portugueses confiam no aconselhamento dos concessionários
  • valorizam especialmente propostas de financiamento e adequação da oferta

Ainda assim, o canal digital começa a ganhar espaço:

  • 44% admitem comprar um automóvel totalmente online

Entre as principais reservas estão:

  • impossibilidade de experimentar o veículo (39%)
  • preferência pelo contacto presencial (44%)

Mercado de usados pode continuar a crescer

O Diretor de Mobilidade da Cetelem, David Correia, defende que o setor atravessa um período de transformação: “Este estudo reforça que o setor automóvel se encontra em momento de grande transformação, assente numa procura clara por automóveis novos mais simples, acessíveis e alinhados com o poder de compra das famílias. Enquanto isso não acontecer, o mercado de usados continuará a ser a escolha natural dos portugueses.”

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