Mobilidade

Qual o limite aceitável de quilómetros para comprar um carro em segunda mão?

Um carro com cinco anos que tenha 150 mil quilómetros pode ser um bom negócio? Especialistas esclarecem dúvidas sobre carros que tiveram muito uso e o oposto
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O que acontece dentro do motor quando a troca de óleo é adiada?

Quando se avalia um carro usado, a contagem de quilómetros costuma ser o primeiro dado a prender a atenção. Segundo o El Motor, do jornal espanhol El País, embora o número de quilómetros seja decisivo, importa perceber que, entre dois carros semelhantes, a manutenção pode ser mais determinante do que uma diferença reduzida na quilometragem. O jornal sublinha que a escolha deve privilegiar o veículo com melhor histórico de cuidados, especialmente quando a diferença é apenas de 10 ou 20 mil quilómetros, embora admita que um carro com 50 mil quilómetros terá naturalmente vantagem clara sobre outro com 300 mil.

Ainda assim, o El Motor realça que o estado real do automóvel deve ser avaliado de forma prática: recibos de serviços, registos de reparações e uma inspeção rigorosa ajudam a perceber como foi tratado. O jornal explica que sinais como óleo demasiado escuro, correias ou mangueiras rachadas e refrigerante turvo apontam para manutenção deficiente e desgaste excessivo, o que pode resultar em dores de cabeça futuras.

O artigo chama também a atenção para a outra face da moeda: carros que quase não circularam. O El Motor destaca que um automóvel parado durante longos períodos pode degradar componentes essenciais, como juntas, borrachas e vedantes, que secam e perdem eficácia mesmo sem uso. Por isso, um carro com quilometragem anormalmente baixa pode apresentar fugas e outros problemas logo após voltar ao dia a dia.

Por outro lado, o jornal alerta para veículos demasiado usados num curto espaço de tempo. Um carro que acumule muito acima da média anual (entre 12 mil e 15 mil quilómetros) indica utilização intensiva, o que normalmente implica manutenção mais frequente e potencial desgaste prematuro. O El Motor lembra que, seguindo esta média, um carro com cinco anos deverá exibir cerca de 60.000 a 75.000 quilómetros, enquanto um com dez anos rondará os 120.000 a 150.000. É também por volta dos 100.000 a 120.000 quilómetros, geralmente entre os oito e dez anos de vida, que começam a surgir reparações inesperadas com maior regularidade.

Ainda assim, a idade e os quilómetros não contam toda a história. O El Motor frisa que o estado geral do carro é sempre o fator mais importante. Um veículo um pouco mais antigo, mas bem cuidado e sem historial de acidentes, pode ser uma compra mais sensata do que um modelo mais recente, mas mal mantido. Em resumo, o limite aceitável de quilómetros não é apenas um número: é o reflexo da forma como o carro foi tratado ao longo da sua vida.

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