Quando se avalia um carro usado, a contagem de quilómetros costuma ser o primeiro dado a prender a atenção. Segundo o El Motor, do jornal espanhol El País, embora o número de quilómetros seja decisivo, importa perceber que, entre dois carros semelhantes, a manutenção pode ser mais determinante do que uma diferença reduzida na quilometragem. O jornal sublinha que a escolha deve privilegiar o veículo com melhor histórico de cuidados, especialmente quando a diferença é apenas de 10 ou 20 mil quilómetros, embora admita que um carro com 50 mil quilómetros terá naturalmente vantagem clara sobre outro com 300 mil.
Ainda assim, o El Motor realça que o estado real do automóvel deve ser avaliado de forma prática: recibos de serviços, registos de reparações e uma inspeção rigorosa ajudam a perceber como foi tratado. O jornal explica que sinais como óleo demasiado escuro, correias ou mangueiras rachadas e refrigerante turvo apontam para manutenção deficiente e desgaste excessivo, o que pode resultar em dores de cabeça futuras.
O artigo chama também a atenção para a outra face da moeda: carros que quase não circularam. O El Motor destaca que um automóvel parado durante longos períodos pode degradar componentes essenciais, como juntas, borrachas e vedantes, que secam e perdem eficácia mesmo sem uso. Por isso, um carro com quilometragem anormalmente baixa pode apresentar fugas e outros problemas logo após voltar ao dia a dia.
Por outro lado, o jornal alerta para veículos demasiado usados num curto espaço de tempo. Um carro que acumule muito acima da média anual (entre 12 mil e 15 mil quilómetros) indica utilização intensiva, o que normalmente implica manutenção mais frequente e potencial desgaste prematuro. O El Motor lembra que, seguindo esta média, um carro com cinco anos deverá exibir cerca de 60.000 a 75.000 quilómetros, enquanto um com dez anos rondará os 120.000 a 150.000. É também por volta dos 100.000 a 120.000 quilómetros, geralmente entre os oito e dez anos de vida, que começam a surgir reparações inesperadas com maior regularidade.
Ainda assim, a idade e os quilómetros não contam toda a história. O El Motor frisa que o estado geral do carro é sempre o fator mais importante. Um veículo um pouco mais antigo, mas bem cuidado e sem historial de acidentes, pode ser uma compra mais sensata do que um modelo mais recente, mas mal mantido. Em resumo, o limite aceitável de quilómetros não é apenas um número: é o reflexo da forma como o carro foi tratado ao longo da sua vida.