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Há zonas em Portugal com o solo no limite após um dos meses mais extremos de sempre

O que aconteceu em fevereiro em Portugal não é normal e há números que explicam porquê
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IPMA anuncia "fenómeno pouco comum" trazido pela depressão Therese

Há zonas em Portugal onde o solo está praticamente no limite, depois de um dos meses de fevereiro mais extremos de sempre e os números ajudam a perceber porquê, como revela o Boletim Climatológico do IPMA. 

Fevereiro de 2026 foi, ao mesmo tempo, muito quente e extremamente chuvoso em Portugal continental. Choveu tanto que este foi o fevereiro mais chuvoso dos últimos 47 anos e o quinto mais chuvoso desde que há registos, em 1931. No total, caíram 241.7 mm de precipitação, mais de três vezes o valor normal para esta altura do ano. Em várias zonas do país, a chuva foi entre três a quatro vezes superior ao habitual, chegando mesmo a cinco vezes mais em locais como Mora, Lavradio (Barreiro) e Alvalade do Sado.

O impacto desta chuva intensa é agora visível no solo: todos os concelhos de Portugal continental apresentam níveis de água superiores a 60% e, em várias regiões, como o Norte, o interior Centro e partes do Alentejo, os solos já estão em saturação. No nordeste transmontano, a situação aproxima-se mesmo da sobressaturação.

Mas há outro dado que torna este mês ainda mais invulgar: apesar da chuva extrema, as temperaturas também estiveram acima do normal. Fevereiro foi o 8º mais quente desde 1931, com uma temperatura média de 11.58 ºC. As mínimas foram especialmente elevadas (as sextas mais altas de sempre) e houve mesmo uma onda de calor entre 21 e 26 de fevereiro em quatro localidades dos distritos de Bragança e Guarda. No total, foram registados 26 novos extremos de temperatura.

Este não é apenas um mês fora do normal. Quando se olha para o ano hidrológico (desde outubro), o cenário reforça essa tendência: já é o mais chuvoso dos últimos 30 anos e o sexto mais chuvoso desde 1931, com um acumulado de 924 mm: cerca de 1.8 vezes acima da média.

Fora do continente, o cenário também foi de contrastes. Nos Açores, fevereiro foi relativamente quente e muito chuvoso, marcado pela passagem sucessiva de depressões que trouxeram vento forte e agitação marítima. Já na Madeira, aconteceu o oposto: temperaturas acima do normal, mas com menos chuva do que o habitual, com algumas estações a registarem dos valores mais baixos das últimas décadas.

No conjunto, fevereiro de 2026 deixa um retrato claro: um mês de extremos, com chuva muito acima do normal, temperaturas elevadas e um país onde, em várias zonas, o solo já atingiu o limite.

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