Milhares de motociclistas de norte a sul do país, bem como do estrangeiro, vão deslocar-se a Fátima nos dias 20 e 21 de setembro para a Peregrinação da Bênção dos Capacetes, que este ano celebra a sua 10.ª edição e coincide com o Ano Santo, assumindo assim “caráter jubilar”, destacou o Santuário de Fátima em nota enviada aos jornalistas.
O vice-presidente da Associação Bênção dos Capacetes (ABC), Paulo Balau, sublinha que o encontro tem “identidade própria” e que se distingue das tradicionais concentrações de motards noutros locais do país. “Apesar de haver muitas solicitações, nunca alteramos a génese deste evento. Ou seja, não há nada de parecido com qualquer concentração: não temos nada a vender para beber, para comer, zero”, explicou à Agência Ecclesia.
Programa da peregrinação
O programa arranca no sábado, dia 20, às 14h30, com o colóquio “A Segurança Rodoviária nos horizontes da Fé”, no Centro Pastoral de Paulo VI. No domingo, dia 21, pelas 11h00, celebra-se a Missa no Recinto de Oração, presidida por D. Rui Valério, patriarca de Lisboa, culminando com a tradicional bênção dos capacetes.
Segundo o Santuário, em 2024 a celebração reuniu cerca de 180 mil motociclistas. O reitor, padre Carlos Cabecinhas, salienta que se trata de uma “celebração particularmente significativa e festiva no Santuário de Fátima, que reúne neste espaço de peregrinação e de oração o número enorme de motociclistas vindos de todos os lugares de Portugal e também já de outros países”.
Mais do que uma concentração
Para Paulo Balau, a motivação central dos motociclistas é a “busca de uma proteção superior”. “Não queremos fazer da peregrinação a Fátima mais uma razão para as pessoas se irem divertir. Não é esse o espírito. E, pelos números, continuamos a achar que não estamos errados”, acrescentou, sublinhando que a atitude de cuidado constante entre motards traduz também o espírito cristão de “ajuda ao próximo”.
O responsável destaca ainda a “visibilidade” da iniciativa, construída em rede com a colaboração de vários Moto Clubes ao longo de todo o ano. “Alguns com crença, outros sem crença, alguns para homenagear colegas que infelizmente já partiram. Pelas mais diversas razões, o importante é estarmos todos com o mesmo espírito, o espírito de motard”, concluiu.
Dimensão solidária
Além da vertente espiritual e de sensibilização rodoviária, a peregrinação integra também iniciativas solidárias. Este ano realiza-se a primeira recolha de dádivas de sangue, bem como uma campanha de apoio a um piloto de motocross nos tratamentos de recuperação após um acidente.