Atualidade

Automóvel, tecnologia, energia, financeiras e retalho. Centenas de empresas estão a sair da Rússia

Surge a cada hora um novo anúncio de empresas que aderem à corrente de solidariedade mundial e abandonam negócios na Rússia
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A Guerra na Ucrânia motivada pela invasão ordenada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, está a motivar uma onda de reações de várias empresas que fecham negócios, terminam parcerias e deixam o mercado russo em resposta à agressão do responsável do Kremlin.

Estas ações visam pressionar o governo russo e, ao mesmo tempo, contribuir para chamar a atenção da opinião pública para as atrocidades que as tropas de Putin estão a cometer na Ucrânia.

Este tema tem sido debatido em todas as frentes e a AWAY esteve no programa de informação Esta Manhã da TVI a debater estas movimentações (vídeo de abertura).

Marcas automóveis, motas, aviação e transportes

BMW, Ford, Volvo e General Motors (que têm SUV muito apreciados pelos oligarcas russos) foram das primeiras empresas a suspender vendas na Rússia. A Volkswagen, para além de deixar de vender produtos do Grupo, fechou também a fábrica local.

Um caso que merece menção especial prende-se com a Lada (produzida pela AvtoVaz) que é subsidiária da Renault e cujo impacto na paragem de produção (por falta de envio de componentes) se irá notar porque é a marca mais vendida na Rússia. A Mercedes deixou de importar carros para a Rússia e também poderá em breve equacionar a sua participação na icónica marca de camiões russos Kamaz.

Jaguar, Aston Martin, Toyota, Mazda e Honda também suspenderam as vendas na Rússia, logo nos primeiros dias de conflito, deixando ao fim de poucos dias o mercado local entregue a marcas russas, chinesas e pouco mais.

Destaque ainda para o apoio monetário com 1 milhão de euros do Grupo Stellantis (Peugeot, Citroen, Fiat, Jeep) e idêntico montante por parte da Porsche, para auxiliar as vitimas na Ucrânia. Do outro lado do Atlântico, a Harley-Davidson cancelou todas as encomendas e anunciou a suspensão da operação na Rússia.

Nota de destaque para a Tesla que está a oferecer carregamentos rápidos nos países/fronteira com a Ucrânia, para que os utilizadores não tenham esse custo na fuga da Ucrânia. O CEO da marca Elon Musk já tinha decidido fornecer acesso à rede Starlink superrápida e mais segura à Ucrânia, como forma de apoio.

Na aeronáutica logo após o anúncio da Lufthansa que deixaria de voar para a Rússia, a Boeing e Airbus deixaram de prestar assistência e fornecer peças a Moscovo. Ainda durante a semana passada foram as companhias aéreas United e Delta Airlines a anunciar a suspensão de voos.

As empresas de transporte marítimo Maersk e MSC deixaram de aceitar contratos com origem na Rússia, garantindo apenas as entregas de navios que já estavam em rota. Também a UPS, FedEx e Deutsch Post anunciaram que não aceitariam mais encomendas da Rússia.

As tecnológicas e media diversa

Microsoft, Alphabet (Google/YouTube) e a Meta (Facebook/Instagram) agiram rapidamente à invasão da Ucrânia por parte da Rússia suspendendo assistência técnica e comercialização de produtos. A Google bloqueou pagamentos de Google Ads e impediu transmissões de YouTube e difusão de noticias dos canais estatais. O Facebook seguiu o mesmo caminho e só deixou o Messenger em atividade.

A meio da semana, o Twitter anunciou que iria “reduzir a visibilidade de partilhas dos media russos” e a Spotify fechou mesmo os escritórios locais, bloqueando ainda a possibilidade da criação de novos podcast com origem na Rússia.

As marcas nórdicas Ericsson e Nokia abandonaram também o mercado russo, cortando suporte técnico para além de vendas. A Apple deixou de comercializar o iPhone e todos os produtos da marca, tendo ainda limitado o acesso à plataforma Apple Pay.

A fabricante de computadores Dell e de sistemas Oracle suspendem operações na Rússia e também anunciaram suspensão de assistência técnica.

Os distribuidores de cinema Disney e Warner Bros cancelaram todas as estreias e a Netflix, primeiro, anunciou que não iria cumprir a nova regra que impõe aos canais streaming disponibilizarem os canais estatais russos, mas depois veio anunciar que iria suspender toda a atividade na Rússia.

Energéticas com mais dificuldade

Com a Rússia a ser um dos maiores exportadores mundiais de petróleo e de gás natural, no campo da energia as coisas podem ser mais complicadas.

A primeira reação veio da nacional Prio que suspendeu a compra de matérias primas para a produção de biocombustíveis em Aveiro. A Galp também anunciou que iria deixar de importar produtos da Rússia, embora assegurasse a receção de encomendas que já estavam em rota.

Surpreendente foi a ação da BP que anunciou a venda de cerca de 20% de ações que tinha na petrolífera russa Rosneft. A americana ExxonMobil também anunciou o abandono da operação na Rússia, tornando-se no segundo gigante a fazer mexer o mercado de combustíveis.

A Shell, parceira da Gazprom no mercado russo, seguiu pelo mesmo caminho e terminou as operações na Rússia, com destaque para a participação no gasoduto Nordstream 2, entretanto suspenso pela Alemanha. No entanto, a Shell, continua a defender a compra do petróleo russo e realizou uma operação nesse sentido na passada semana, aproveitando um superdesconto russo de apenas 25 dólares/barril (cotação a mais de 100 dólares).

Na Europa, para além da norueguesa Equinor e sueca Orsted, também a italiana ENI, a austríaca OMV e a britânica Centrica anunciaram que iriam vender as pequenas posições que tinham em operações na Rússia.

Pela negativa, a TotalEnergies mantém a atividade na Rússia embora tenha condenado os ataques e anunciado que não irá investir em novos projetos…

Financeiras e retalho deixam russos de fora

A PayPal suspendeu toda a possibilidade de pagamentos via plataforma eletrónica tornando as compras online mais complicadas. A Visa, MasterCard e, mais recentemente, American Express também anunciaram a suspensão de atividade e aceitação de pagamentos na Rússia.

No campo do retalho os dois primeiros impactos vieram da gigante H&M que fechou todas as lojas na Rússia e da IKEA que fechou lojas e suspendeu toda a atividade, incluindo na Bielorússia. Já nos últimos dias o Grupo Inditex (Zara, Berska, etc) também encerrou todos os estabelecimentos na Rússia. Analistas estimam que só estes três grupos podem ter enviado cerca de 45 mil pessoas para o desemprego, temporariamente, na Rússia.

As marcas de desporto Adidas, Nike, Under Armour, também estão a fechar lojas e a suspender vendas na Rússia.

Para além das referidas há ainda imensas empresas, com menor ou igual dimensão, que estão a anunciar a todo o instante a saída do mercado russo.

 

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