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COP27: países pobres reclamam ajuda financeira e ONU responde com projetos

Financiamento às nações mais afetadas pelas alterações climáticas é um dos temas mais importantes da cimeira. Mas, afinal, o que está em causa?
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Cheias no Paquistão (Foto: Asim Tanveer/ AP)
Cheias no Paquistão (Foto: Asim Tanveer/ AP)

O termo em inglês é “Loss and Damage” (Perdas e Danos) e tem sido um dos temas mais discutidos em torno da COP27, a Cimeira do Clima que está a ter lugar no Egito. Embora bem-vindo, esse financiamento dos países mais ricos aos mais pobres para que aumentem a resiliência às alterações climáticas, parece ser apenas uma pequena parte do que estes verdadeiramente precisam.

O Paquistão é responsável por menos de um por cento das emissões de gases com efeito de estufa a nível global. No entanto, este país do sul da Ásia tem sido fortemente afetado por cheias, as quais já custaram muitas vidas e causaram enormes prejuízos financeiros.

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Rishi Sunak, primeiro-ministro britânico na COP27 (Foto: Stefan Rousseau/ AP)

Este é, pois, um exemplo claro de uma nação pobre que está a pagar a fatura das emissões causadas pelos países mais industrializados e desenvolvidos, situados no hemisfério norte. E como o Paquistão, há muitos outros países que se vêm fortemente afetados pelas alterações climáticas e que não têm forma de as combater.

O financiamento por parte dos países ricos é, por isso, mais necessário do que nunca. E mais importante do que prometê-lo, como já aconteceu no passado recente, é efetivamente cumpri-lo. Mas ainda assim, este tipo de ajuda externa pode não ser suficiente, como mostra um relatório agora divulgado.

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Sociedade civil também reclama mais apoio aos países sub-desenvolvidos (Foto: Peter Dejong/ AP)

De acordo com o documento “Finance for Climate Action”, elaborado com o apoio da Organização da Nações Unidas (ONU), os países em desenvolvimento precisam de um bilião de dólares por ano, e até ao final desta década, para enfrentar a crise climática.

Este montante, a obter junto dos países mais ricos, mas também de investidores privados e bancos para o desenvolvimento, deverá somar-se aos capitais próprios de cada uma das nações, segundo o relatório. Este sublinha que o investimento total é necessário para reduzir emissões, aumentar a resiliência, lidar com os danos das alterações climáticas e restaurar a natureza.

Precisamente para fazer face a esta questão, o quarto dia da COP27 ficou marcado pela publicação, por parte de um grupo de especialistas da ONU, de uma lista de projetos no valor de 120 mil milhões de dólares, com o objetivo de atrair investidores. Entre eles, encontra-se um projeto de transferência de água entre o Lesoto e o Botsuana e um outro para melhorar o sistema público de água nas Maurícias.

Com a publicação desta listagem a ONU pretende atenuar o receio dos investidores em aplicarem mais do seu dinheiro em mercados emergentes. O contacto com projetos concretos poderá, assim, tornar-se um atrativo e facilitar a concretização de ajuda financeira aos países mais pobres.

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