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Príncipe William investe em banco que financia combustíveis fósseis

Documentos mostram ligação à J.P. Morgan e a fundo com participação em empresas associadas à desflorestação
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Fundação do príncipe William envolta em polémica (Foto: Alastair Grant/ AP)
Fundação do príncipe William envolta em polémica (Foto: Alastair Grant/ AP)

A Royal Foundation, instituição de caridade fundada pelo príncipe William que se dedica, em parte, à conservação da vida selvagem, está a ser apontada pela agência noticiosa Associated Press (AP) como tendo realizado investimentos na J.P. Morgan, instituição financeira que é uma das maiores financiadoras de combustíveis fósseis a nível global.

A organização que, pelas mãos dos duques de Cambride, William e Kate, institui em 2019 o Earthshot Prize – premiação a atribuir a indivíduos ou organizações que apresentem soluções impactantes e sustentáveis para problemas ambientais – tem também mais de metade dos seus investimentos num fundo que detém ações de grandes empresas alimentares, compradoras de óleo de palma a companhias associadas à desflorestação, avança a AP.

A agência apurou que em 2021 a Royal Foundation tinha sob gestão da JPMorgan Chase, instituição líder mundial em serviços financeiros, mais de 1,1 milhões de libras (1,3 milhões de euros) em investimentos e que ainda hoje continua a investir através da empresa americana.

Príncipe William (Foto: Alberto Pezzali/ AP)

Da mesma forma, a instituição liderada pelo príncipe William, segundo na linha de sucessão ao trono britânico, e pela sua mulher Kate Middleton, detinha 1,7 milhões de libras (2 milhões de euros) num fundo gerido pela empresa britânica Cazenove Capital, que em maio último tinha títulos ligados à desflorestação causada pelo uso de óleo de palma.

De acordo com a leitura de documentos da Royal Foundation efetuada pela AP, a fundação investiu montantes semelhantes em ambos os fundos em 2020 e detinha, em dezembro de 2021, mais de 10 milhões de libras (11,7 milhões de euros) em dinheiro.

A fundação originalmente criada como The Foundation of Prince William and Prince Harry está, assim, envolta em polémica, numa altura em que especialistas de todo o mundo advertem de forma insistente para o impacto ambiental e as consequências das alterações climáticas provocadas pela utilização de combustíveis fósseis.

Peritos consultados pela AP salientam, no entanto, que fundações e organizações filantrópicas como a Royal Foundation têm, por vezes, dificuldade em reconhecer onde se encontram os seus próprios investimentos e alinhá-los com opções mais amigas do ambiente.

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