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Aquecimento global provoca mais cheias e chuvas intensas

Investigação confirma a relação entre o aumento da temperatura na Terra e a maior ocorrência de fenómenos climáticos extremos
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A intensidade da seca extrema e dos níveis de precipitação tem vindo aumentar de forma muito acentuada nos últimos 20 anos. A conclusão é de um novo estudo que utilizou dados captados a partir de satélites posicionados na órbita terrestre.

Seca cada vez mais severa e, por outro lado, chuvas mais intensas. Os fenómenos climáticos extremos estão a acentuar-se de acordo com a investigação publicada na revista Nature Water, o que conduz a falhas nas culturas, danos em infraestruturas e até mesmo crises humanitárias e conflitos.

O cenário pouco animador foi traçado a partir de dados provenientes de satélites conhecidos como GRACE, sigla para Gravity Recovery and Climate Experiment, os quais foram utilizados para medir as alterações no armazenamento de água na Terra, incluindo águas subterrâneas, águas superficiais, gelo e neve.

Cheias no Brasil - AWAY
Cheias no Brasil - 2009 (foto: Associated Press)

Perante as informações obtidas, os investigadores do Goddard Space Flight Center da NASA envolvidos no estudo não têm dúvida em afirmar que tanto a frequência como a intensidade das chuvas e secas estão a aumentar, devido à queima de combustíveis fósseis e outras ações que libertam gases com efeito de estufa.

A investigações expôs a forte ligação existente entre os fenómenos climáticos extremos e o aumento das temperaturas médias globais, o que significa que o continuado aquecimento global trará mais secas e tempestades, as quais serão mais frequentes, mais severas e mais longas.

Na sua pesquisa os investigadores analisaram 1056 eventos ocorridos entre 2002 e 2021, utilizando um novo algoritmo que identifica onde a terra é muito mais húmida ou seca do que o normal.

Onde ocorreram as chuvas mais intensas e as secas mais severas?

Os dados obtidos confirmam que as chuvas mais intensas continuam a acontecer na África subsariana (pelo menos até dezembro de 2021); na América do Norte central e oriental (de 2018 a 2021); e na Austrália (entre 2011 e 2012).

Seca no Quénia - AWAY
Seca no Quénia - 2022 (foto: Associated Press)

Já as secas mais severas ocorreram no nordeste da América do Sul (2015/ 2016); no bioma Cerrado, no Brasil (começou em 2019 e ainda continua); e no sudoeste da América do Norte – os níveis de água ficaram perigosamente baixos em dois dos maiores reservatórios dos Estados Unidos, o Lago Mead e o Lago Powell.

Em que medida a responsabilidade é do aquecimento global e que soluções há?

A investigação explica que uma atmosfera mais quente aumenta a taxa de evaporação da água durante os períodos de seca, ao mesmo tempo que detém mais vapor de água, o que alimenta eventos de chuva intensa.

Quanto a soluções para o problema, o estudo aponta que utilizar águas de cheias para reabastecer aquíferos esgotados e melhorar a saúde do solo agrícola, para que esta possa absorver melhor a água e armazenar mais carbono, são apenas alguns métodos que poderiam melhorar a resiliência da água num mundo em aquecimento.

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