Sustentabilidade

Tubarões e raias à superfície em risco de interagir com barcos de pesca

Estudo internacional mostra que grande maioria das espécies passam grande parte do tempo a 250 metros de profundidade
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Raias e tubarões ficam a 250 metros (Foto: F. Ayerst/Unsplash)

Raias e tubarões ficam a 250 metros de profundidade o que os coloca em risco de interação com barcos de pesca

Abertura artigo - 22/08/2022

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Um estudo internacional que analisou as deslocações verticais de tubarões e raias concluiu que a maioria das espécies passa mais de 95% do seu tempo a 250 metros da superfície, o que aumenta a probabilidade de interação com barcos de pesca e coloca os animais em risco.

A investigação, que resultou num estudo publicado na revista Sciencie Advances, foi liderada pela Zoological Society of London (ZSL) e pela Universidade de Stanford e contou com a colaboração de 171 investigadores de 135 instituições, entre elas o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (CIBIO-InBIO).

Durante três anos, os investigadores mapearam os movimentos verticais de 38 espécies de tubarões e raias de forma a compreender a “sobreposição vertical destas espécies com as atividades humanas e com o impacto das alterações climáticas”, explicou, à Lusa, o investigador do CIBIO-InBIO Nuno Queiroz.

Segundo o estudo, um dos movimentos verticais mais comuns é a migração em que peixes pequenos e os seus predadores vão para águas mais profundas durante o dia, voltando às camadas superiores durante a noite. Também foi possível concluir que cerca de um terço das espécies mergulham em profundidade, para águas frias, com pouca visibilidade e oxigénio.

No entanto, a conclusão que pareceu surpreender mais foi que 26 das 38 espécies, nas quais se incluem o tubarão-tigre, o tubarão-martelo e o tubarão-seda, passam mais de 95% do seu tempo nos primeiros 250 metros da coluna de água. A esta distância da superfície, a probabilidade das raias e dos tubarões interagirem com barcos de pesca é muito maior.

Este estudo permite não só perceber como vivem estas espécies, mas também como é que a atividade humana as pode afetar. Desta forma, é possível criar mecanismos e medidas para as proteger.

Além disso, mostra como o aquecimento e a desoxigenação dos oceanos pode influenciar as deslocações verticais das espécies marinhas.

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